terça-feira, 1 de novembro de 2011

A educação no pensamento de Jean-Jacques Rousseau


A infância ocupa um local de destaque na obra de Jean-Jacques Rousseau, pois, ele foi um dos primeiros intelectuais da modernidade a desenvolver um trabalho que tinha como objeto específico a criança. Indo contra a visão vulgar da época, em que a criança era vista como um adulto em potencial, Rousseau afirmava que a infância era uma realidade distinta daquela existente no mundo adulto. Seguindo esse ponto de vista de Rousseau, somente teria sucesso ao analisar a infância, aquele trabalho que enxergasse esta nuance do processo de formação subjetiva do indivíduo.
Estudando estas questões já no século XVIII, Rousseau através da sua obra Emílio é considerado um marco no pensamento pedagógico ocidental. Segundo Reinaldo dos Santos (2009, p. 77), Rousseau representa uma das bases teóricas de muitos projetos pedagógicos da atualidade, pois, ele coloca o aluno, a criança, no centro do processo educacional. Portanto, Rousseau, diferentemente da maioria dos homens e mulheres de sua época, viu na criança um ser peculiar, e interessou-se em estudá-la com mais minúcia.
Tendo em vista estas questões, ele elaborou também um projeto pedagógico (principalmente a obra Emílio), que tem como objetivo considerar as diferentes etapas da formação cognitiva humana, e auxiliar na criação de hábitos naturais para a criança, evitando os não-naturais tão fartamente criados pela civilização. É importante enfatizar que o plano educacional de Rousseau está intimamente ligado a uma perspectiva política, ou seja, a educação tem o papel de contribuir para a transformação social, para a criação de uma sociedade melhor, com indivíduos autônomos e responsáveis.
Colocando a criança na posição de sujeito histórico, Rousseau traça alguns planos para se atingir uma educação de qualidade. Na visão de Santos (2009, p. 78) "dentre as várias reflexões pedagógicas presentes no Emílio e em outras obras, podem ser focalizados três temas de maior relevância: o puericentrismo; a aprendizagem motiva; e a dialética autoridade-liberdade".
O PUERICENTRISMO: diz que a criança deve ser vista como sujeito, e a coloca no centro do processo educativo.
A APRENDIZAGEM MOTIVADA: deve valorizar os interesses das crianças, possibilitando a criatividade e a liberdade de escolha.
DIALÉTICA AUTORIDADE-LIBERDADE: diálogo entre educador e educando. O educador respeita a autonomia e experiência do aluno, assim como o aluno respeita o conhecimento e posicionamento do professor. Do embate entre ambos, surge o processo ensino-aprendizagem.

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