quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O MUNDO É OUTRO MESMO




     Foi de muito longe que eu[1], humilde autor deste texto, na manhã de hoje (2/11/2011), após errar o horário da circular, pelo fato do horário que sou acostumado a pegar não existir nos feriados, avistei uma senhora acompanhada do que aparentemente era sua filha e o seu neto. Em pleno feriado, os três, assim como eu, tinham o mesmo intento, pegar a circular para Nova Esperança. Até ai tudo bem. A grande surpresa, que infelizmente mostra a nossa miséria socioeconômica, foi quando depois de algum tempo em pé perto do ponto de ônibus, a mulher que supostamente seria a filha da idosa sugeriu que: - mãe sente-se no banco para não se cansar.
      Neste momento o leitor mais atento deve estar indagando aonde este texto quer chegar, e possivelmente dando risada e pensando que o seu criador está com alguns parafusos a menos, jogando pedra em avião, ou mesmo correndo atrás de caminhão parado. Entretanto, acredito profundamente que pequenos casos cotidianos nos ajudam a entender muita coisa da sociedade em geral.
      É bom para que eu não canse o meu interlocutor que me dirija logo ao que ocorreu. Então vamos lá. Como eu ia dizendo, a acompanhante da senhora pediu para que ela se sentasse, no entanto, ao observar o banco, a simpática e madura mulher notou que existia outras pessoas sentadas e de costas para ela. Ao tentar contornar o banco para poder assim estar em uma relação de maior interação e respeito para com as outras pessoas, a filha interrompe a senhora e diz: - aonde a senhora vai? A senhora respondeu: - me sentar do outro lado para que eu não fique de costas para as outras pessoas. A filha e o neto em coro ressaltam: - não é necessário, se sente aqui deste lado mesmo. A experiente mulher um tanto quanto constrangida desabafa: - realmente o mundo é outro mesmo.
       Foi neste momento que percebi que estamos em uma sociedade doente, onde as pessoas não se conhecem e nem tem a mínima vontade de se conhecer e valorizar. O espanto e o constrangimento da senhora mostram o estranhamento que ela tem ao ter que pactuar com tal degeneração. As grandes cidades e o individualismo tornam as pessoas incapazes de notar a necessidade que temos de interagir com os demais homens. Eles não podem ser vistos como coisas, e sim como seres que tem uma subjetividade e peculiaridades.
      Neste caso, em que a senhora era seguida por seus familiares , certamente devido as suas debilidades físicas, mostrou que apesar dos mais jovens (entenda-se os que nasceram no seio dos valores humanos atuais) terem a força e a potência física, nem de longe possuem uma moral saudável. Este acontecimento nos mostra que não basta estarmos vivos e fortes, se agimos de maneira irrefletida. As nossas energias físicas estão sendo desperdiçadas em uma vida carente de sentido. E o estranhamento da senhora em relação a coisificação do ser humano presente nos dias atuais, é um grande alerta, pois, ela ainda consegue ter essa sensação. Entretanto, o grande problema é que estamos perdendo a capacidade de sermos seres humanos.




[1] Alexandre Gustavo da Silva


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